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839 results found for tag:"poetico".
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Romancero de la soledad
08/01/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
@desesperanzaensoledad  Que cansado es tu horizonte y que cansada está el alma:  pero no debes rendirte ni yo la desesperanza.  Veo tu lucha constante de lejos en la distancia y aunque apenas tú lo sientas,  no estás solo en la batalla.  Amigo, aquí en la trinchera  el futuro se nos gasta, el cansancio nos oprime y el aire se nos acaba.  Pero mira de soslayo, a veces, en la distancia y podremos ayudarte  disfrazándonos la máscara  de la esperanza más firme  en tu fuerza y en tu rabia. Y en que n
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Romancero de la soledad
07/30/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
@esperanzaensoledad Yo no quiero que te vayas, amigo, porque te aprecio y, aunque cueste la esperanza, aquí a tu lado te espero. Yo no quiero ser realista ni hacer caso a lo que veo. Prefiero luchar contigo en alma y en pensamiento: no te rindas que aun es pronto, no abandones compañero, que segundo en vida es vida y a esa esperanza te aferro. Yo no quiero que te vayas, amigo, porque te aprecio: en la esperanza me tienes y si Dios escucha, rezo.
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Romancero de la soledad
07/28/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
@poemadeamor  Quiero escribirte un poema  de amor sincero y sentido,  desprovisto de aspavientos  desprovisto de adjetivos.  Quiero decir que te quiero  sin recurrir a vacíos  ardides adolescentes más que de amor, de amoríos.  Quiero escribir un poema  para decirte, amor mío, lo cercana que te siento  cuando tu voz me da alivio.  Quiero decir que en la noche,  te busco y te necesito  cuando el mal sueño me invade  cuando me invade el delirio.  Quiero contarte, mi vida, a veces con que sigilo  mi
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Sonetos de la libertad
06/26/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
No hay muro que contenga la conciencia ni cárcel donde encierren las ideas; no hay hombre que te impida ser quien seas, ni paz que se consiga con violencia. No existe en el tirano la indulgencia, mentiras de un político que creas, verdades como puños que no veas, corruptos que no huelan a indecencia. Dejémonos entonces ya de excusas de usar paños calientes, medias tintas, palabras que no sean la verdad. Atrás quedaron las almas confusas, mañana brillarán, serán distintas: estrellas  blancas de l
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Exposición de pintura de mi hijo Guillermo en la Academia Berlín
06/23/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
            Una muestra de la exposición de pintura con la que mi hijo Guille nos sorprendió el pasado sábado 21 de junio, junto con sus compañeros de la academia Berlín. A sus siete años consigue trasladar en su obra toda la belleza de su maravilloso mundo interior. Muchas felicidades por el trabajo y por el éxito.
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Feliz cumpleaños desde la barricada
06/05/2014
Guillermo García-Mauriño Ruiz-Berdejo
Mi querido ahijado Fredi me ha pedido un poema de regalo de cumpleaños. Espero de verdad que le guste.
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Dulce Oscuridad
11/17/2025
Jimena López
Obra de texto poético que explora la percepción del amor en las distintas etapas de la vida, la maduración emocional y la reconstrucción de la esperanza tras el sufrimiento. Cada capítulo representa un punto de inflexión en el que la protagonista va aprendiendo sobre la vida, el amor y la fuerza interior que nace del proceso de sanar.
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Ciudad abstracta, juventud insuficiente.
05/03/2026
B de la T.
Poemario bajado de Andrés Burguete de la Torre.
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La librería de doña Estrecha
04/21/2026
Sixti Salas
A simple vista, la librería de Doña Estrecha es solo un local oscuro en Alaquàs. Pero entre sus estantes se esconde una red secreta de mujeres, mensajes cifrados, nombres prohibidos y una memoria clandestina que el poder quiere destruir. Ondina ha crecido entre esos libros sin saber del todo qué guardaban. Hasta que la guerra lo cambia todo. Entonces comprende que ha heredado mucho más que un oficio: ha heredado una misión peligrosa. Mientras el miedo avanza y los secretos empiezan a salir a la luz, tendrá que decidir hasta dónde está dispuesta a llegar para proteger una verdad que podría desaparecer para siempre. Una novela de misterio, memoria y resistencia sobre el precio de recordar cuando todos quieren imponer el olvido.
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Y, volvimos a la cárcel
11/23/2025
Adela Villoria Sánchez
Sí, el día 20 volvimos a recitar en el Centro Penitenciario de Topas. Nos invitó la UTE, para la presentación de un nuevo número de su revista «UTEOPÍA». Cada vez que vamos a Topas salimos más llenos de energía, si cabe; más llenos de ilusiones y también, de mesura. Porque valoramos enormemente lo que supone … Continuar leyendo "Y, volvimos a la cárcel"
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O internato
09/07/2025
Meireles Nsangui
As Vozes do Chão Ainda me lembro da primeira noite como quem se recorda de um aviso — não um aviso claro, mas um pressentimento feito de sombras. Era tarde. A eletricidade tinha sumido sem cerimônia, e a casa mergulhava numa escuridão que parecia ter raízes. Éramos cinco naquele internato antigo. O vento assobiava entre as frestas da madeira como se quisesse nos chamar pelo nome. Neru, o mais velho, fingia calma sentado junto à janela, encarando o breu como se o lado de fora fosse menos perigoso que o que morava entre nós. Eka brincava com um isqueiro velho, acendendo pequenas labaredas como se acender luz fosse suficiente para apagar o medo. Tomi tremia sob um cobertor ralo. Eu apenas ouvia. Havia algo no silêncio que sempre me perturbou mais que qualquer grito. E havia Avelino. Escoteiro de coração, de pele muito escura e dedos sempre inquietos. Naquela noite, ele desenhava símbolos no chão com o dedo, como se aquilo fosse suficiente para afastar o que estava por vir. Foi quando ouvimos. Um som vindo de baixo. Não era passo, não era vento. Era um arranhar calculado — intermitente, como se alguma coisa estivesse tentando soletrar algo sob o assoalho. Não natural. Nem animal. Nem humano. — É só a madeira — murmurou Avelino, sem convicção. Mas todos sabíamos. O tipo de som que não precisa de explicação. Só de medo. Na manhã seguinte, havia marcas sob o tapete da sala — riscos profundos, como se algo com garras houvesse tentado subir. Neru tirou o tapete em silêncio. A madeira estava lá, intacta. E mesmo assim… havia algo errado no ar. Aquilo era só o começo. O começo do fim da nossa sanidade.
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o eco do vazio
09/07/2025
Meireles Nsangui
No coração de uma ruína esquecida, um homem descobre que a luta pela sobrevivência não é contra monstros externos, mas contra as próprias camadas que o habitam. Dividido entre a sombra que o chama ao sangue e o reflexo que implora por humanidade, ele descobre que o verdadeiro abismo não é um lugar — é uma escolha. E toda escolha deixa cicatrizes. Prólogo – O Lugar Onde as Cicatrizes Respiram Há um lugar que não existe nos mapas. Não porque seja secreto… mas porque ninguém sobrevive tempo suficiente para voltar e descrevê-lo. Ele não tem nome. Os que chegaram perto demais o chamaram de muitas coisas: Inferno. Santuário. Silêncio. Eu, porém, o chamo pelo que ele é: o lugar onde as cicatrizes respiram. O chão é feito de memórias partidas — lajes largas onde cada passo ecoa como um soluço antigo. O ar é denso, carregado do cheiro de chuva que nunca cai. E a luz… se é que existe luz… é uma penumbra azulada, como se o céu estivesse eternamente à beira de apagar. Aqui, a dor não se esconde. Ela tem corpo, tem voz, tem olhos que me seguem. Algumas vezes me acaricia o rosto como quem consola, outras vezes me aperta o pescoço como quem exige tributo. Mas eu aprendi a não fugir dela. Porque, neste lugar, tudo que foge… apodrece. As árvores crescem retorcidas, como se carregassem nos galhos o peso de mil despedidas. O rio é lento, tão lento, que suas águas refletem não o presente, mas tudo que deixei para trás. E no horizonte, há uma torre. Sempre a mesma torre, não importa para onde eu caminhe. Dizem que quem chega ao topo pode ver sua própria alma. Mas ninguém explica o que se vê… ou se vale a pena. Talvez este mundo não tenha nascido de pedra ou de estrelas. Talvez tenha nascido de mim. Da minha fome. Do meu medo. Da minha necessidade absurda de transformar cada lágrima não chorada em alguma coisa que dure mais do que eu. E aqui, nesse território que é ao mesmo tempo prisão e refúgio, eu caminho. Sem pressa. Sem esperança de saída. Porque às vezes… não se trata de escapar. Mas de aprender a viver dentro.
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infinito
09/07/2025
Meireles Nsangui
Sobreviventes A noite ainda queimava no coração de Kael. O fogo que levou os pais jamais se apagaria da sua memória. Sem casa, sem família, ele e Sarya vagavam pelas ruas da cidade, onde a lei não passava de um sussurro. Ali, quem mandava eram os fortes. E os fortes, quase sempre, eram os que nasceram com dons sobrenaturais: homens que cuspiam fogo, mulheres que moldavam sombras, assassinos que liam mentes como livros abertos. Para duas crianças negras sem nada, sobreviver era um milagre. Mas Kael tinha algo que nenhum dom podia oferecer: frieza e inteligência além da idade. Ele observava. Aprendia. Decorava os gestos dos vendedores, os hábitos dos guardas, o horário em que os mercadores mais ricos passavam pelas ruelas. Não roubava por prazer, mas por necessidade. — “Sarya, espera aqui.” — dizia, deixando a irmã escondida em becos, enquanto ele se esgueirava como um fantasma. Com o tempo, Kael aprendeu a transformar até o lixo em arma. Um caco de vidro, uma pedra solta, uma garrafa quebrada — tudo era recurso para sobreviver. A rua cheirava a fumaça e podridão. Sarya agarrava o braço de Kael, os olhos grandes brilhando de medo. Do outro lado do beco, três marginais avançavam, exibindo suas habilidades como feras acuando presas. — “Olha só, o moleque acha que pode brincar de herói sem ter dom nenhum…” — zombou o primeiro, o de braços endurecidos como pedra. Quando socou a parede ao lado, tijolos voaram em estilhaços. O segundo abriu a boca e uma chama escapou da garganta, iluminando a viela com tons laranja. O terceiro girava uma corrente de ferro, a ponta flamejante cortando o ar com um assobio mortal. Sarya deu um passo para trás. Kael não. Ele estava imóvel, os olhos fixos nos inimigos. Respirava fundo. E então, algo diferente brilhou dentro dele. Não era poder sobrenatural. Era leitura. Era instinto. Era como se pudesse enxergar um segundo à frente. O brutamonte de pedra avançou primeiro, o punho descendo como um martelo. Kael se moveu antes que o golpe viesse — deslizou para o lado, o ar explodindo contra sua pele quando o punho esmagou o chão, rachando a calçada. Crack! O de chamas cuspiu fogo, e Kael, rápido, empurrou a própria irmã contra a parede, fora do alcance. O fogo passou rente, queimando a manga do seu casaco preto.
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Para quem acorda com os olhos fechados
07/17/2025
Meireles Nsangui
Na, Ni e Mi. Três nomes que poderiam ser teus. Três vidas que nasceram no silêncio das ruas, entre lonas rasgadas e esperanças costuradas a mão. Cresceram onde ninguém cresce — num tempo onde a infância não tem tempo, e os dias passam com o estômago vazio e o coração cheio de perguntas. Mas mesmo ali, entre os restos do que o mundo joga fora, eles sonhavam. E quando sonhavam, o mundo mudava. Este não é apenas um livro sobre dor ou abandono. É um livro sobre os pequenos milagres que acontecem quando se fecha os olhos e se acredita que há algo mais além da miséria. É sobre um espelho que reflete o que o mundo não vê. Sobre uma canção que só os corações partidos conseguem ouvir. Sobre a escolha de viver… mesmo quando parece mais fácil desaparecer. Na sonhou com uma família. Ni sonhou com liberdade. Mi sonhou com um botão. Tu, ao abrir este livro, talvez estejas à procura do teu próprio sonho. E talvez, ao terminar esta leitura, descubras que ele também está vivo — escondido em algum canto da tua dor, ou nas entrelinhas da tua coragem. Porque os sonhos, irmão, não morrem. Eles só dormem à espera de quem ainda acredita.
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O Homem Que Ainda Caminha
07/17/2025
Meireles Nsangui
Este livro nasceu do silêncio. Do tipo de silêncio que não vem da ausência de som, mas da ausência de esperança. São poemas escritos por um homem que já desceu ao fundo do abismo. Que já perdeu a fé em si, no mundo, nas promessas, nos retornos. Mas que mesmo assim… ainda caminha. Não há aqui versos bonitos por vaidade. Há dor. Há verdade. Há um homem vazio que continua a existir por amor — amor por uma mulher que depende dele, e por um futuro que talvez ele nunca veja, mas ainda tenta criar. Cada poema é uma carta não enviada. Um grito mudo. Um espelho onde quem sente muito, talvez se reconheça. Este livro não quer ser luz. Ele quer ser abrigo. Para ti que, como eu, já perdeste quase tudo — mas ainda te recusas a desaparecer. — Meireles de Assunção Nsangui André
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O Menino Que Plantava Estrelas
07/17/2025
Meireles Nsangui
Na esquecida aldeia de Kalubala, vivia um menino chamado Lumo. Lumo falava pouco. Diziam que ele era estranho. Ele ouvia o vento como se fosse seu professor, tocava na casca das árvores como se fosse pele, e fitava as estrelas como se estivessem a lhe contar segredos. “Não sejas como o Lumo,” alertavam as outras crianças. “Acabarás a correr atrás das nuvens.” Mas Lumo não se importava. Ele acreditava em coisas que não se podiam ver. Ele tinha um dom: conseguia ouvir a tristeza do mundo. E um dia, decidiu fazer algo a respeito.
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Palavra Livre
07/17/2025
Meireles Nsangui
Cresci num lugar onde o tempo não passa, ele escorre. Onde a poeira tem nome, e a fome, sobrenome. As ruas não são ruas, são caminhos de sobrevivência. Não há futuro — há apenas o agora, e mesmo esse nos é negado quase todos os dias. A escola era longe, o pão mais ainda. A roupa vinha rasgada e era emendada com esperança. O sapato era herdado de três irmãos, cada sola carregando os sonhos de outro. Mas havia palavras. Palavras que vinham dos livros velhos que encontrava no lixo, palavras que minha avó dizia antes de dormir, palavras que eu escrevia na parede do quarto com carvão. Essas palavras… Elas não envelheciam. Elas resistiam ao tempo, à dor e ao esquecimento. E foi nelas que eu aprendi: Mesmo que o mundo me tire tudo, a palavra será sempre minha.
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O Homem que sonha com a Eternidade
07/17/2025
Meireles Nsangui
Nasci com um corpo que sangra e uma alma que grita. Vi o tempo correr nos rostos que amei, e temi — não o fim — mas o esquecimento. Cada passo que dei neste mundo foi um grito contra a morte. E mesmo em silêncio, eu dizia: “Quero ficar.”
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Uma Família Unida
07/17/2025
Meireles Nsangui
Entre as chapas de zinco, o cheiro de café ralo e o silêncio das noites longas, nasceu uma história que não grita — mas ecoa. Uma Família Unida não é apenas um romance. É um retrato íntimo da luta silenciosa de milhares de lares nos subúrbios de Luanda e do mundo. Aqui, cada página é um quintal. Cada personagem, um vizinho. Cada palavra, um gesto de sobrevivência. Joãozinho, o menino que escreve para não se perder. Elizandra, a irmã que segura o mundo com mãos invisíveis. Mayulu, o jovem em guerra com a própria sombra. Paulina, a mãe que transforma a dor em coragem sem som. Este livro fala de amor que não se diz, de dignidade em tempos de escassez, e do poder da palavra como ferramenta de cura e revolução. É um espelho. Um grito sussurrado. Uma oferenda de esperança. Porque no fim… a verdadeira riqueza de uma família é o que ela se torna quando o mundo desiste.
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O homem que aprendeu a ouvir o vento
07/17/2025
Meireles Nsangui
Dizem que há um momento na vida de todo homem em que ele para de falar — não por escolha, mas por cansaço. Cansaço de gritar onde ninguém escuta. Cansaço de explicar o que o mundo insiste em não querer entender. Foi nesse silêncio que ele nasceu. Não de útero, mas de vazio. Não de choro, mas de ausência. Chamavam-no por muitos nomes: louco, andarilho, feiticeiro. Mas ele nunca respondeu. Porque, desde cedo, aprendeu que a única voz que não mente é a do vento. O vento não tem rosto, nem pátria, nem religião. Não deseja, não cobra, não julga. Ele apenas passa — e quem escuta com atenção, entende. Foi numa tarde sem nome, sob um céu sem tempo, que ele ouviu pela primeira vez. Não era uma voz humana. Era mais profunda que qualquer palavra e mais leve que qualquer lamento. Era um sussurro antigo, vindo de muito antes de tudo o que é nomeado. Disse-lhe apenas: “Anda.” E ele andou. Deixou para trás a casa, o nome, as certezas. Levou consigo apenas um caderno em branco, uma pedra no bolso e a memória de um rosto que não sabia mais desenhar. Desde então, caminha. Não por destino, mas por escuta. Cada rajada que sopra, cada folha que dança, cada silêncio que respira — tudo é palavra. Não busca fama, redenção ou respostas. Busca histórias. Busca almas esquecidas que, como ele, só querem ser ouvidas uma última vez antes de desaparecerem. E assim começa a viagem do homem que aprendeu a escutar o vento. Talvez ele já tenha passado por tua aldeia, por tua rua, por tua sombra. Mas tu não o viste. Porque só quem já foi silêncio é capaz de ouvir.
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