o eco do vazio
09/07/2025
2509073009760

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No coração de uma ruína esquecida, um homem descobre que a luta pela sobrevivência não é contra monstros externos, mas contra as próprias camadas que o habitam.
Dividido entre a sombra que o chama ao sangue e o reflexo que implora por humanidade, ele descobre que o verdadeiro abismo não é um lugar — é uma escolha.
E toda escolha deixa cicatrizes.
Prólogo – O Lugar Onde as Cicatrizes Respiram

Há um lugar que não existe nos mapas.
Não porque seja secreto…
mas porque ninguém sobrevive tempo suficiente para voltar e descrevê-lo.
Ele não tem nome.
Os que chegaram perto demais o chamaram de muitas coisas:
Inferno.
Santuário.
Silêncio.
Eu, porém, o chamo pelo que ele é:
o lugar onde as cicatrizes respiram.
O chão é feito de memórias partidas —
lajes largas onde cada passo ecoa como um soluço antigo.
O ar é denso, carregado do cheiro de chuva que nunca cai.
E a luz… se é que existe luz…
é uma penumbra azulada, como se o céu estivesse eternamente à beira de apagar.
Aqui, a dor não se esconde.
Ela tem corpo, tem voz, tem olhos que me seguem.
Algumas vezes me acaricia o rosto como quem consola,
outras vezes me aperta o pescoço como quem exige tributo.
Mas eu aprendi a não fugir dela.
Porque, neste lugar, tudo que foge… apodrece.
As árvores crescem retorcidas, como se carregassem nos galhos o peso de mil despedidas.
O rio é lento, tão lento, que suas águas refletem não o presente, mas tudo que deixei para trás.
E no horizonte, há uma torre.
Sempre a mesma torre, não importa para onde eu caminhe.
Dizem que quem chega ao topo pode ver sua própria alma.
Mas ninguém explica o que se vê…
ou se vale a pena.
Talvez este mundo não tenha nascido de pedra ou de estrelas.
Talvez tenha nascido de mim.
Da minha fome.
Do meu medo.
Da minha necessidade absurda de transformar cada lágrima não chorada em alguma coisa que dure mais do que eu.
E aqui, nesse território que é ao mesmo tempo prisão e refúgio,
eu caminho.
Sem pressa.
Sem esperança de saída.
Porque às vezes…
não se trata de escapar.
Mas de aprender a viver dentro.

Literary: Other
filosófico
drama
família…
cultural
esperança
africano
poético

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Meireles Nsangui
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Title o eco do vazio
No coração de uma ruína esquecida, um homem descobre que a luta pela sobrevivência não é contra monstros externos, mas contra as próprias camadas que o habitam.
Dividido entre a sombra que o chama ao sangue e o reflexo que implora por humanidade, ele descobre que o verdadeiro abismo não é um lugar — é uma escolha.
E toda escolha deixa cicatrizes.
Prólogo – O Lugar Onde as Cicatrizes Respiram

Há um lugar que não existe nos mapas.
Não porque seja secreto…
mas porque ninguém sobrevive tempo suficiente para voltar e descrevê-lo.
Ele não tem nome.
Os que chegaram perto demais o chamaram de muitas coisas:
Inferno.
Santuário.
Silêncio.
Eu, porém, o chamo pelo que ele é:
o lugar onde as cicatrizes respiram.
O chão é feito de memórias partidas —
lajes largas onde cada passo ecoa como um soluço antigo.
O ar é denso, carregado do cheiro de chuva que nunca cai.
E a luz… se é que existe luz…
é uma penumbra azulada, como se o céu estivesse eternamente à beira de apagar.
Aqui, a dor não se esconde.
Ela tem corpo, tem voz, tem olhos que me seguem.
Algumas vezes me acaricia o rosto como quem consola,
outras vezes me aperta o pescoço como quem exige tributo.
Mas eu aprendi a não fugir dela.
Porque, neste lugar, tudo que foge… apodrece.
As árvores crescem retorcidas, como se carregassem nos galhos o peso de mil despedidas.
O rio é lento, tão lento, que suas águas refletem não o presente, mas tudo que deixei para trás.
E no horizonte, há uma torre.
Sempre a mesma torre, não importa para onde eu caminhe.
Dizem que quem chega ao topo pode ver sua própria alma.
Mas ninguém explica o que se vê…
ou se vale a pena.
Talvez este mundo não tenha nascido de pedra ou de estrelas.
Talvez tenha nascido de mim.
Da minha fome.
Do meu medo.
Da minha necessidade absurda de transformar cada lágrima não chorada em alguma coisa que dure mais do que eu.
E aqui, nesse território que é ao mesmo tempo prisão e refúgio,
eu caminho.
Sem pressa.
Sem esperança de saída.
Porque às vezes…
não se trata de escapar.
Mas de aprender a viver dentro.
Work type Literary: Other
Tags filosófico, drama, família…, cultural, esperança, africano, poético

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Identifier 2509073009760
Entry date Sep 7, 2025, 7:55 PM UTC
License Creative Commons Attribution 4.0

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Author. Holder Meireles Nsangui. Date Sep 7, 2025.


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