Amabile e Lorran vivem ela na casa e ele no farol, ambos Amabile é uma moça tímida, triste e deprimida que decide refugiar-se em sua precoce viuvez aos 22 anos de idade numa pequena casa de praia oferecida pelos seus padrinhos situada na costa da França. Amabile sofre pela perda de seu marido o major Augusto Algrian na guerra. Após algumas tentativas de suicídio, internações, ela resolve se recluir da sociedade onde nunca acreditou que se encaixasse muito para viver nessa cabana. Sua intenção é que estar próxima ao mar possa de algum modo deixa-la perto do amor de sua vida, uma vez que Augusto morreu em combate numa fragata em alto mar.
No farol que fica numa pequena ilha frente aquele mar, vive Olivier, um homem de trinta e oito anos marcado pela perda de sua filha Madelene, que se suicidou quando tinha quinze anos por ter sido renegada pelo rapaz que se casaria com ela e por qual era apaixonada. Olivier, vendeu todas as suas propriedades, doou boa parte aos orfanatos e conventos, comprando apenas o aquele farol onde também trabalhava como faroleiro. O mar também era a sua última ligação como a vida, uma vez que sua filha se matou em sua frente jogando-se num penhasco.
Tema=> Duas pessoas que não tem razão para viver.
Eixo da trama=> Amabile escreve cartas para Augusto, colocando-as dentro de garrafas e lançando ao mar. Nelas conta como é o seu dia a dia com a certeza de que ele lerá. Um dia uma dessas garrafa com uma carta cai na rede de pesca de Olivier, ele abre a garrafa e se apaixona pela quantidade de sentimento que há na escrita. A partir desse dia ele passa a monitorar as garrafas, chega a acordar mais cedo para que a maré não a jogue fora da rede. Até um dia ele decide responder as cartas como se fosse Augusto, o marido morto de Amabile. Na resposta a cada carta, Amabile sente que há ali alguém que perdeu tanto quanto ela e os dois vão percebendo que não estão sozinhos em sua dor.
Em uma de suas respostas Amabile propõe ao falso Augusto que se conheçam. Mas ele não aceita. Ela insiste. Então ele diz que ficarão a cargo do Destino. Ela pede que ele crie uma senha. Ela aceita.
Quando ela encontrar que acredita ser ele, ela dirá do nada: Hoje sou eu e você. E a resposta dele deve ser: Agora somos nós.
A partir de então Amabile começa a prestar atenção às poucas pessoas que estão a sua volta.
Um dia Amabile vai ao comércio locar comprar mantimentos. Lá enquanto está sendo atendida, ela presta atenção num homem que parece invisível aos olhos de todas aquelas pessoas. O balconista prepara a pequena sacola com o que ela pediu. Ela se aproxima daquele cidadão como se fosse atraída por ele. O cumprimenta. Ele a ignora. Nem olha para seu rosto. Alguém diz a ela que ele não conversa com ninguém da cidade há anos desde que mora no farol. Ela se afasta voltando ao balcão pegando sua sacola. O homem se levanta depois de beber. E os olhos dela o segue. Quando ele está preste a deixar a venda num impulso ela diz: Hoje serei eu e você.
O homem para, tenta ignorar. Ela repete. Ele se vira para ela lentamente. Como se fosse descobrindo cada parte de sua figura até cair nos seus olhos. Abaixa a cabeça. Parece envergonhado. Tira o chapéu ajeitando com sua mão. Decide olhar para ela com mais coragem. Então sussurra: Agora somos nós.
Mas ele parte. Não estava preparado para aquele encontro. Amabile fica perplexa com o desdém dele. Mas decide segui-lo de longe. Assim que descobre que ele pega seu pequeno bote e rema para o farol.
A partir dali ela para de escrever as cartas até que um dia é a carta dele numa garrafa que parar na sua porta, não trazida pela maré, mas pelo próprio Olivier na calada da madrugada. Na carta apenas um pedido:
Já morri uma vez. Voltei a vida por suas cartas. Não estou pronto para morrer de novo. Por favor, me escreva.
Ass.: O homem do Farol
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