Kael’nar.
Um nome que ecoa como vento em catedrais abandonadas.
Era ali, entre a poeira metálica e os esqueletos de satélites extintos, que André caminhava com os pés descalços, olhos fundos e alma sem norte.
Aos vinte e poucos ciclos, ele já tinha visto mais do que muitos velhos de cem.
Não porque desejava —
mas porque o universo não perdoa quem sonha alto demais.
Desde pequeno, André acreditava que havia uma balança invisível ligando cada átomo à alma do mundo.
Mas quando seus pais desapareceram, quando o orfanato queimou, quando seus companheiros o deixaram para trás no buraco de Orion-6...
essa balança parecia ter sido quebrada pelas mãos de um deus bêbado.
Ele caminhava para lugar nenhum,
mas o chão o levava a um destino que ainda não existia.
Foi então que viu:
uma esfera negra, semienterrada na poeira.
Viva, mas adormecida.
Aproximou-se.
Estendeu a mão com hesitação.
E ao tocar a superfície fria, ouviu a primeira palavra que mudaria tudo:
— André.
A esfera se acendeu.
Luzes azuis dançaram sobre seu corpo.
A poeira recuou como se temesse algo sagrado.
E pela primeira vez em muitos ciclos, André não se sentiu só.
— Quem… é você? — murmurou.
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