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SONETO DAS RUAS – I
(André L. Soares)
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Eu vendo doces, o dia todo, no sinal;
trabalho duro, defendendo o ganha-pão.
É o que me cabe, já que nem sou cidadão...
– Só busco um troco pra tentar não passar mal.
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Têm uns esnobes,... muita grana e coisa-e-tal,
então me humilham, viram rosto, dizem: – Não!...
num gesto brusco, como quem afasta um cão,
porque sou pobre, já me vêem marginal.
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Por isso, agora, vou assumir o que já sou:
um vagabundo, destemi
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