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Sorte ou azar
05/30/2026
Janaina Cibeli Lopes Dobbins
Janaina Cibeli Lopes Dobbins
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Janaina Cibeli Lopes Dobbins
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**SORTE OU AZAR, O TEMPO DIRÁ**
[Intro ponteio viola caipira]
Zezinho era um menino que morava lá na roça,
sentado ele ficava na beira da estrada,
quando de repente, no horizonte a despontar,
surgiu uma tropa a caminhar.
O guri bem curioso subiu em um palanque a observar,
um potrinho que parecia perdido,
ia bem atrás parecendo ferido.
O coração do piá se encolheu
de tanta dó que aquela cena lhe deu.
Mais que depressa chamou seu pai:
— Pai, me compra esse potrinho,
que eu lhe vou a cuidar.
Seu pai muito encabulado
disse preocupado:
— Meu filho, não tenho condições de comprar...
O menino ficou triste
e chorou calado.
Veio então o peão,
e vendo aquela situação,
ficou com muita pena e disse:
— Esse potro está a nos atrasar,
O senhor me faz um favor se com ele ficar,
só nos deixe essa noite aqui posar.
O menino se alegrou,
e correndo seu potro ele apiou
Naquela noite houve festa,
mate, churrasco e seresta.
[Solo ponteio de viola]
O vizinho vendo aquela festança
foi lá perguntar pra criança
o que é que tinha sucedido.
Ele respondeu:
— Esse potro foi o vaqueiro que me deu,
vou cuidar dele
e será minha montaria algum dia.
O vizinho cresceu o olho e falou:
— Que sorte que o piá tirou!
O pai que estava a escutar disse:
[Refrão]
— Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
O tempo passou e o mundo girou.
O potro cresceu e virou um alazão,
e o menino cresceu e virou um peão.
Inseparáveis cresceram como irmãos.
Mas um dia o cavalo viu uma matriz
e fugiu com a égua de raiz.
Chegou o vizinho e disse:
— Que azar que o piá tirou!
O pai que estava a escutar disse:
[Refrão]
— Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Seis meses se passaram, o cavalo voltou,
mas não veio sozinho.
Trouxe uma tropa selvagem.
O guri abriu a porteira
e guardou a manada,
e contou cabeças até a alvorada.
O vizinho veio assuntar, exclamou:
— Mas que sorte, piá!
O pai bem sereno disse:
[Refrão]
— Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
No dia seguinte o guri foi aos potros domar.
De pulo ligeiro ele foi ao chão,
quebrando a perna, rompendo o tendão.
O vizinho veio como de costume:
— Mas que azar, piá...
O pai preocupado disse:
[Refrão]
— Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Na semana seguinte, estourou a guerra
naquele lugar,
e todo rapaz que estivesse são
ia ter que se alistar
para lutar a peleja,
salvar a nação.
O vizinho assombrado veio falar:
— Que sorte que tu tem, piá...
não vai pra guerra, vai se salvar...
O pai aliviado disse:
[Refrão]
— Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
[Final]
E assim é a vida,
uma roda a girar.
Talvez seja sorte,
talvez seja azar.
Mas o jogo só termina
quando a jornada acabar,
quando os olhos se fechar,
quando a vida se terminar.
Enquanto isso vou dizendo:
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
Sorte ou azar, o tempo dirá...
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