O Vento que Sussurra em Silêncio
Ele caminhava sem destino, mas com propósito. A poeira subia a cada passo, como se o chão também quisesse dizer algo. O céu, baço de nuvens cansadas, parecia suspenso apenas pelo som que o vento carregava. Chamava-se Kintu, embora há muito não ouvisse alguém dizer seu nome. Vivia entre o agora e o antes — entre as memórias que doíam e as palavras que nunca foram ditas. Levava nos olhos um cansaço ancestral, e no peito uma ausência que nenhum remédio sabia curar. Naquela manhã, quando o vento soprou do sul, algo diferente o tocou. Não era o frio. Era uma voz sem boca. Um eco sem origem. Um sussurro que dizia: “Ali… onde a árvore se inclina para o poente… escuta.”
Kintu obedeceu. Não por fé, mas por costume. O vento nunca lhe mentiu. Andou por horas, sem saber se era guiado ou apenas perdido. A paisagem mudava devagar, como se o mundo estivesse hesitante em revelar seus segredos. Ao fim da tarde, encontrou a árvore — velha, torta, com os galhos estendidos como braços pedindo perdão ao céu. Ali, sentou-se. O vento cessou. O silêncio caiu como véu. E então, uma voz — fina, trêmula, mas firme — saiu da terra, não do ar:
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